Castrar ou não castrar? O que a ciência e os tutores de Anhanguera têm a dizer sobre essa decisão
Se você tem um cão ou gato e ainda não castrou, provavelmente já ouviu de tudo: que o pet vai engordar, que vai perder a "graça", que é cruel tirar algo que é "natural", que só se castra fêmea... A lista de crenças populares sobre castração é longa — e a maioria delas não tem respaldo nenhum na medicina veterinária.
A gente resolveu ir fundo no assunto. Conversamos com tutores da região de Anhanguera que já passaram pelo procedimento, reunimos as informações mais atuais da área e preparamos este guia pra te ajudar a tomar essa decisão com mais segurança e menos achismo.
Primeiro, entendendo o que é castração (e o que não é)
A castração — tecnicamente chamada de orquiectomia nos machos e ovariosalpingohisterectomia (ou OSH) nas fêmeas — é um procedimento cirúrgico que remove os órgãos reprodutivos do animal. Nos machos, são removidos os testículos. Nas fêmeas, ovários e útero.
Já a esterilização pode se referir a técnicas que impedem a reprodução sem necessariamente remover os órgãos, como a laqueadura. Porém, no contexto veterinário brasileiro, quando falamos em castrar, geralmente estamos falando da remoção completa — que traz mais benefícios à saúde a longo prazo.
Os mitos que todo mundo repete (e a verdade por trás de cada um)
"Meu pet vai engordar depois de castrar"
Esse é o campeão de mitos. A castração reduz levemente o metabolismo do animal, isso é verdade. Mas o ganho de peso não é inevitável — ele acontece quando o tutor não ajusta a alimentação e o nível de atividade física após o procedimento. Com uma dieta adequada e exercícios regulares, o pet castrado mantém o peso sem problema. Inclusive, rações específicas para pets castrados já estão disponíveis aqui na Vet Anhanguera justamente pra facilitar esse ajuste.
"Ele vai ficar menos animado, vai mudar de personalidade"
Não existe evidência científica de que a castração altera a personalidade do animal de forma negativa. O que pode acontecer é a redução de comportamentos ligados ao instinto reprodutivo — como a agressividade territorial nos machos e o choro constante das fêmeas no cio. Muitos tutores relatam que o pet ficou até mais tranquilo e afetuoso depois do procedimento.
"Fêmea precisa ter pelo menos um cio ou uma ninhada antes"
Essa crença não tem base científica. Na verdade, o contrário é verdadeiro: castrar a fêmea antes do primeiro cio reduz drasticamente o risco de tumores mamários. Segundo estudos veterinários, esse risco cai para menos de 1% quando o procedimento é feito antes do primeiro ciclo. Depois do segundo cio, esse percentual já sobe consideravelmente.
"Macho não precisa castrar, é só a fêmea que fica prenha"
Esse pensamento ignora metade da equação. Um macho não castrado pode gerar dezenas de filhotes ao longo da vida — filhotes que muitas vezes acabam abandonados nas ruas. Além disso, a castração do macho reduz riscos de doenças como hiperplasia prostática benigna, tumores testiculares e perineais, e ainda diminui comportamentos indesejados como marcação excessiva com urina e tendência a fugir em busca de fêmeas.
"É um procedimento perigoso demais"
Com os cuidados certos e um veterinário de confiança, a castração é considerada uma cirurgia de rotina, com baixíssimo índice de complicações. A avaliação pré-operatória — que inclui exames de sangue e, em alguns casos, eletrocardiograma — é o que garante que o animal está em condições de passar pela anestesia com segurança.
O que a castração realmente oferece para a saúde do seu pet
Além de prevenir tumores mamários nas fêmeas, o procedimento também elimina o risco de piometra — uma infecção uterina grave e potencialmente fatal, bastante comum em cadelas e gatas não castradas com o avançar da idade. Nos machos, além dos benefícios já citados, há redução do risco de câncer de próstata.
No comportamento, os benefícios também são concretos: menos agressividade entre machos, redução do instinto de fuga, menor marcação de território e, nas fêmeas, fim dos cios — que podem ser exaustivos tanto para o animal quanto para o tutor.
O impacto além do seu lar: a questão dos animais abandonados
Anhanguera, como muitas cidades brasileiras, convive com o problema dos animais em situação de rua. Parte significativa desses animais são filhotes de pets domésticos não castrados. Cada ninhada não planejada representa um risco real de abandono.
Ao castrar seu pet, você também está contribuindo para reduzir essa cadeia. É uma decisão que tem impacto na saúde do seu animal, na sua qualidade de vida como tutor e na comunidade ao redor.
O que dizem os tutores daqui
A Carla, moradora do bairro e tutora da Mel, uma SRD de 3 anos, conta que demorou a se convencer: "Eu tinha muito medo de que ela fosse mudar depois da cirurgia. Mas o que mudou foi só o cio, que era um estresse danado. Ela ficou igual, brincalhona do mesmo jeito."
Já o Ricardo, que tem dois gatos machos, fez a castração dos dois com cerca de 6 meses: "Eles pararam de brigar entre si e de querer sair pela janela. A diferença foi imediata. Hoje são os melhores amigos."
Quando é a hora certa de castrar?
A idade ideal varia conforme a espécie, raça e porte do animal. Em geral, gatos podem ser castrados a partir dos 4 meses. Para cães, a recomendação mais comum é entre 6 meses e 1 ano, mas raças de grande porte podem se beneficiar de aguardar um pouco mais para o desenvolvimento completo. O melhor caminho é sempre conversar com seu veterinário de confiança, que vai avaliar o histórico e as condições específicas do seu pet.
Pronto para dar o próximo passo?
Se você ainda tem dúvidas, o melhor que você pode fazer é buscar orientação profissional. Na Vet Anhanguera, a gente acredita que decisões sobre saúde animal precisam ser tomadas com informação de qualidade — não com base em mitos que circulam no grupo do WhatsApp do condomínio.
Castrar seu pet é um ato de cuidado. Com planejamento, acompanhamento veterinário e ajustes na rotina, o procedimento traz muito mais benefícios do que qualquer desvantagem que você possa ter ouvido por aí.